terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Borboletas Quando Choram


Ela não conseguia dormir aquela noite. O vazio voltara a incomodá-la. Tinha coisas na vida que não tinha como mudar: as escolhas e suas eternas responsabilidades...

Virou o travesseiro por diversas vezes. Tentou telepatia e pediu que ele a visitasse em seus sonhos. Mas o sono não vinha. Deitou pra baixo, pra cima, tirou o lençol, se cobriu novamente... Até que apagou, deitada no chão, sobre um travesseiro.
E ele veio. Mais uma vez, atendendo ao seu pedido. Nunca escondeu o seu amor. O mesmo olhar... Dormiu com ela, mas sem tocá-la. Mais uma vez ele chorou. Ela também, mas não disse nada, porque prometeu respeitá-lo.
Antes de ir embora, ele deu um beijo rápido em sua boca e uma borboleta sobrevoou os dois.
Ela levantou-se do chão e gemeu de dores nas costas. Correu para o computador e olhou a caixa de e-mails. Mais uma vez, ele pedia pra que ela se afastasse. Na noite anterior, ela tinha deixado uma mensagem de carinho.
Ela suspirou... quis dormir novamente, mas se lembrou do beijo...
Sim, aquele beijo tinha o poder mágico do despertar.
E ela acordou para sempre.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Este ano, quero paz no meu coração...

Amanheci em véspera de Natal
E era pra ser assim dia vinte e quatro de dezembro:
um dia feliz e de paz.
No entanto, acordei em prantos
porque sonhei com meu avô...
sonhar até que é bom
mas acordar, não.
Voltar ao pesadelo da vida
quando a vida parece tirar toda a paz que o Natal merece ter.
Decaí no que me assombra
o meu vício constante
que me perturba tão constantemente
como se me afogasse em desespero
e eu pudesse sentir ao mesmo tempo
gozo e lágrimas
ardendo no meu peito
As escolhas ao longo do tempo
a aceitação
a tal da resignação...
como dóem!
Quando eu era criança e ouvia as pessoas desejarem "paz"
ao dizer, tão mecanicamente,
"Feliz Natal",
eu não entendia o que seria essa palavra
- naquele instante mágico da infância
e na condição sublime de se ter família -
e hoje eu rogo com todas as minhas forças:
"Paz, paz, paz, eu quero paz"
será que o tal "papai noel"
poderia me trazer esse presente
dentro de um sapatinho
na janela do meu quarto?
Eu juro que eu deixo ele lá,
não um sapatinho,
mas o meu sapato tamanho 40
e o meu coração
a se derramar sobre a lua
a espera de paz.

Por que é tão caro a algumas pessoas
dizer - o que quiser -
em tons doces de educação, respeito e carinho?

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Esperança, Educação!!!!

Confesso que desta vez eu chorei. Como se naquele momento eu tivesse perdido as esperanças. Eu juro que eu pensava que não tinha mais como piorar o sistema educacional no país, mas eu estava enganada. Um misto de raiva, decepção, indignação. Senti-me humilhada, junto aos meus colegas de profissão, companheiros de trabalho árduo, de luta, de esforço, de esperança. Lembrei dos rostos dos meus alunos, de todos os que foram "meus" durante os meus doze anos de magistério. Dos que sonhavam com o curso superior, dos que estavam na escola porque os pais queriam, dos abandonados pela família, dos adotados por nós, dos que queriam apenas o diploma para a obtenção de um emprego. Lembrei daquelas crianças, com os cadernos e os lápis nas mãos, com medo das provas, apaixonadas pelo professor de matemática, chorando nos cantos, brigando nos banheiros, rindo à toa e tão alto pelos pátios.
Tão iludidos... os meus alunos. E tão iludidos os professores, acomodados àquela situação medíocre, aos seus salários de miséria. Tudo o que eles queriam era dar uma boa aula, era fazer com que o aluno gostasse de estar ali, que aprendesse ao menos ler, escrever sua própria história ou fazer as próprias contas. No entanto, o que me dói mais é perceber quão iludida é a sociedade, arraigada nessa cultura hipócrita que a política brasileira impõe, de que a educação é prioridade quando não é jamais; Que entrega cotas depois de massacrar com os péssimos ensinos fundamental e médio; Que desmoraliza ao invés de incentivar, seus pobres brasileirinhos, famintos de oportunidades, de igualdade.
Eu lembrei dos meus alunos porque não somos nós, professores, que sofremos. São eles, os iludidos. Os que acham que professor é quem deve educar, os que esperam de nós como salvadores da pátria. Nós, os professores, padecemos. Vivemos cansados, massacrados pelo preconceito, chamados de coitados. Quantas vezes me olharam torto porque eu sou professora e minhas irmãs médicas. "Ah... não gostava de estudar, não é mesmo?!" Ai que triste realidade. Ai!
Porém, eu ainda sinto orgulho de nós, profissionais da educação. Porque não desistimos. Porque sabemos o valor que temos, quando aquele menino tão sem esperanças escreve no final do ano que aprendeu a ser feliz, porque seu professor o ensinou a ser "gente".
Tenho certeza que agora estamos mais fortes do que nunca. Não somos mais marionetes nas mãos de vocês, políticos corruptos e interesseiros. Preparem-se para a guerra, porque a nossa arma vocês não tem: a inteligência, a criatividade, o dinamismo, a liderança verdadeira, o carisma e a justiça divina.
Força, meus companheiros de luta!!! Não se desanimem! Não lutaremos por nós, mas pelo nosso país, pelo futuro de nossos filhos, de nossos alunos, que merecem contar uma história melhor, com um final bem mais feliz!!! E com certeza, venceremos, pois, com certeza, estaremos mais unidos neste novo ano e sempre!!!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Adeus Ano Velho

Cansei de escrever poesia nesse fim de ano tão sem rima
a poesia da vida que hora ou outra me fazia postar
até os desenganos
o desespero da carne
do vinho branco
embriagado sobre a mesa
ou sobre a pele
em noites tão claras de lua cheia
Cansei de falar de amor
de dor
de cansaço e de agonia
da memória da infância tão fácil
Cansei daquele sonho salutar e,
ao mesmo tempo,
insano
fatigando nos meus olhos
a crueldade do destino
sobre a realidade do agora
e a vontade de ser aquele sonho
a minha verdade
absoluta
O tempo é de fogo
e o fogo queima sem pena alguma
é preciso fôlego
e água
pra ressurgir das chamas
pois até o pranto se findou...

todavia,
prossigo purificada
e embora,
afrontada pelas lutas,
sigo com as mãos vazias
entregues à esperança.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Tempo, tempo, tempo, tempo...



Por que será que precisamos de datas? Tem horas que me pergunto se isso é tão importante assim. Porque a gente costuma deixar tudo pra depois; o começo do regime, a faxina, os projetos, os sonhos... vai deixando pro próximo ano, pra quando chegar nos 30, nos 40. E aí a vida vai passando, e a gente vai envelhecendo e não fez nada. Aquele ano ficou pra trás, aquela segunda-feira bem mais pra trás ainda.
Se não houvesse as datas, quem sabe eu começaria hoje aquela dieta há anos adiada? Ou eu comemoraria todos os dias o dia dos namorados, o dia das mães, dos pais, do amigo...? Se não houvesse datas, eu não ficaria mais velha todo ano e eu não sentiria aquele desespero de que o tempo passou e eu não fiz nada do que eu queria. Porque as datas nos limitam e ao mesmo tempo, nos pressionam. As datas cansam. E não se cansam, se repetem, fazendo eu recordar a velhice, o tempo passado, "Nossa! Quanto tempo! Já se passaram tantos anos!" Se não houvesse as datas, haveria somente o hoje e eu não contaria nos dedos quanto tempo falta pra eu fazer tal coisa ou não. Eu não lamentaria a segunda feira e nem festejaria a sexta. Sairia com meus filhos quando sentisse vontade, começaria já a minha academia, comemoraria o meu aniversário todos os dias!
Há os que são a favor da rotina, da organização do tempo... há os que anotam tudo na agenda, eu sei. Mas será que a gente precisa mesmo disso tudo, assim, tão "a ferro e fogo? Porque eu acredito que se a gente não se apegasse tanto às horas, a gente seria mais livre. Sem os relógios nos cobrando sobre o pulso ou sobre as paredes da casa, eu dançaria e riria até o amanhecer; A velhice aconteceria, naturalmente, sem que me perguntassem a idade... E eu teria somente somente o sol e a lua a me tolher os sonhos.
Alice Xavier

sábado, 3 de dezembro de 2011

Oh dúvida cruel!


Tomar uma decisão é torturar a si mesmo e àqueles que amamos,
quando não sabemos, definitivamente, o que é correto.

Alice Xavier

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Dando satisfação

Eu juro. É a famosa correria. Os amigos cobrando e eu sentindo falta de todos eles. No blog, fora do blog...
Fim de mestrado, filhos, casamento... tudo junto e misturado, com trabalho e mais trabalho; e eu sem ajudante em casa, dá pra imaginar o como está minha vida né?? Mas ontem até que fiquei feliz. Meu filho mais velho veio com essa:
_ Mãe, você é uma super mãe!
_ Por que?
_ Nossa, hoje você arrumou a casa toda, que estava uma bagunça, cuidou do Thiago que está doente, lavou o carro que ele vomitou e ainda me levou pra passear.
Por um minuto parei pra pensar e respirei fundo: Que bom que consegui tudo isso! O mais importante pra mim era jamais faltar aos meus filhos.
Às vezes bate aquele desespero, será que vou conseguir?? Porque casamento não é brincadeira, ainda mais quando se tem um filho que não é do seu marido. Nooooossa! Hoje eu falo pra tudo quanto é menina: Não faz filho antes do casamento não, porque é pecado mesmo, rsrsrs.
Ah, e sem falar que entrei num regime (finalmente) e estou animada com as minhas velhas aulas de boxe, caminhada, corrida, passeio no parque. Eu preciso tirar essa horinha pra mim né, gente??
E claro que nessa correria toda, eu acho tempo pra fazer o que gosto. Fui ao show da minha cantora favorita, a Tiê, e tive o prazer de tirar lindas fotos com ela e me deliciar com suas musiquinhas que amo demais.
Pro ano que vem, estou fazendo mil planos: pintar, desenhar, escrever, viajar, ir a mais shows (Marcelo Jeneci tem que ser o próximo!!!)... e curtir mais meus amigos e minha família.
Enfim... estou tentando conciliar tudo... espero que entendam, que estou numa fase não muito fácil, mas vou dando conta de tudo e de todo mundo aos pouquinhos. Quero que saibam que amo todos vocês e peço, de coração, que rezem e torçam por mim, pois podem ter certeza, eu jamais deixarei de fazer isso por vocês também. Obrigada pelo apoio e pela força que sempre me proporcionam.
O que estou aprendendo com tudo isso? Que às vezes, é preciso se dedicar a nós mesmos e dizer não também, porque a vida passa rápido demais e se a gente não cuidar da gente, ninguém mais vai cuidar. Bom restinho de ano pra todos nós!!! (E a gente continua se falando pelo FB, hehehe)
Beijocas!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Aos meus irmãos de coração, pela vida que nos presenteia...

Não deixe de ouvir enquanto lê
http://www.youtube.com/watch?v=faqWafcTT6s&feature=related

A doraria abraçar você agora
D aria tudo pra estar ao seu lado
R ogo a Deus neste instante pra que te cubra de bênçãos
I gnoro o tempo ruim e
A bro as janelas da minha casa pra que a vida cante
N orteio os passarinhos pra que te
E ncontre, porque
C ertamente enfeitarão os seus jardins
E farão crescer as flores como na primavera
S erão infinitas as alegrias
A s letras todas rimadas
R odearão sua casa as borboletas

V elarão por ti os anjos todos
I rradiando luz, clareando sempre
D eixo, portanto, meu beijo e minha alegria
A mor, saudade e cantoria.

Alice Xavier

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A lua e o mar


No meu quarto tem estrelas guardadas na escuridão dos olhos fechados
quando é noite e eu não posso dormir
porque o cansaço não me deixa repousar

e no céu do meu quarto tem passarinhos voando
aqueles com ramos nos bicos
outros com cartas pra mim

E eu também tenho asas pra desbravar o mundo
que estranho
que ternura de mundo a se revelar

Sim, eu fecho os olhos e aí eu posso ver
grilos
ouvir os curimins cantando nas florestas
em volta da fogueira

Levanto as mãos e alcanço
um pedaço de nuvem do céu
eu provo, é doce
eu sabia

Ponho o pé no chão
areia
mar
e perto do mar
um barquinho branco feito de papel
foi minha mãe que fez pra mim
navego no barquinho de papel
até a lua

e quem foi que disse que a lua não encontra o mar?

Nossa Senhora quietinha
ninando Jesus Cristo
e eu que pensava
que era São Jorge que vivia lá

Abro os olhos e não há mais nada
só a mesma fronha do travesseiro
o quadro na parede
o vento pela janela
e a televisão desligada.

Alice Xavier

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Por que eu amo meu marido?




Seguindo a ideia de Fabrício Carpinejar...


Em três meses de namoro com o meu marido, descobri que ele tinha mentido a idade. Achei horrível... a mentira! Mas adorei o fato de que ele era mais velho que eu, rs. Hoje é o seu aniversário e já se passaram quase nove anos que estamos juntos. Nada mais justo que refletir, e depois declarar, sobre o por que eu o amo.


Quando o vi pela primeira vez , no ponto de ônibus da faculdade, achei nele um menino doce, meio tímido, desajeitado e ao mesmo tempo, com um toque de vaidade. Parecia tão romântico... No fundo ele sempre foi tudo isso mesmo, mas depois, o descobri totalmente diferente: rude, sarcástico, convencido, um pouco egoísta e muito arrogante. Eu me perguntava várias vezes por que estava convivendo com uma pessoa assim tão insensível e tão voltado pra si mesmo. Mas era como se todas aquelas qualidades que eu vi no primeiro dia estivessem escondidas, e por alguma razão ele fazia isso de propósito, mas quase sem querer. Como se se revestisse com uma carapaça, pra não se deixar sucumbir.

Com o tempo descobri nele traumas de infâncias, lembranças tristes e pouca maturidade pra superar tudo. Um menino precisando de colo e de força, de amor e de sonho. Apaixonada, não desisti. Arrumei as malas e parti em busca daquele ser tão misterioso que mexia tanto com minhas "estruturas".

Fazia pouco tempo que ele tinha descoberto: seu pai não era seu pai. Havia outro. E por trás dessa história, uma história tão complexa. Ajudei-o na busca pelo pai verdadeiro e... encontramos. Aliás, ele se encontrou. E foi desde então que a carapaça começou a se desfazer, devagarinho, e até hoje anda em processo de desfeita.

Não que eu quisesse mudá-lo, mas eu precisava ajudá-lo a transformar-se em alguém melhor. Acontece que quem mudou muito foi eu. Nada mais normal, já que qualquer relação nos transforma, nos faz amadurecer, enxergar o mundo de uma maneira diferente. O Guilherme me ensinou a superar os meus traumas e a me amar mais, a ser mais forte, a ter mais coragem. Com ele eu vivi as aventuras que eu sempre quis viver. E foram alguns dos melhores momentos da minha vida: Pegar "jacaré", cantar na praia, arrumar qualquer canto pra dormir, dormir agarrado todo dia... falar de literatura, ler poesia, viajar... cair em qualquer chão pra se amar... sem vergonha de dizer o que sente, o que fantasia, o que gosta e o que não gosta... rezar... casar... ter mais um filho (já que o meu ele o acolheu como dele), segurar minha mão na hora do parto, chorar junto a emoção da vida em nossos braços.

As alegrias e o prazer de se estar junto é sempre melhor que qualquer diferença, ou desavença. Ainda mais quando se descobre que aquele cara durão é capaz de se emocionar com pequenas coisas, chorar no cinema, ou quando se declara pra você; Quando aquele cara tão prático, embrulha seu presente num saco de pão com os restos dos farelos; Quando o amor da sua vida, embora egoísta, demonstre ser tão apaixonado ao ponto de escolher você pra ficar do lado dele pro resto da vida.

Tem coisinhas e coisonas que ainda precisam ser transformadas, em mim, nele, em nós... o que é natural. No entanto, delinear o tempo um do lado do outro, me faz perceber o quanto sou feliz, cada dia mais, o quanto somos felizes juntos. Olhar nos seus olhos é ver o mesmo menino que conheci no primeiro dia e perceber que ele está, pronto pra ser feliz ao meu lado, pra se dedicar por nós, por nossa família, tão amada.



Gui, amo cuidar de você... das suas roupas, do seu cabelo, da sua pele... organizar e guardar seus documentos, arrumar sua mala, tirar o seu sapato, fazer o seu prato. Do mesmo jeito que sempre cuidou de mim... de como colocava o nosso bebê no meu peito, de como fazia os meus curativos e me banhava.


O meu amor é sim, verdadeiro. E por mais que eu não saiba dizer aqui as razões, eu escolho todos os dias amar você, mais e mais.


Feliz aniversário!!!

domingo, 24 de julho de 2011

História do Meu Bisavô José Francisco Maciel

Uma festa da família Maciel (família de meu pai) foi realizada em Crixás. Este foi o texto que escrevi para homenagear o meu bisavô José Maciel, figura importante da nossa família. Foi um prazer conhecer essa história e poder escrevê-la em algumas palavras.


Infelizmente, não pude estar presente com vocês neste dia. Peço desculpas, mas deixo, com muito carinho a minha sincera e simples homenagem.
Nasci com uma paixão incrível pela música, pela arte e pelas histórias e, sinceramente, não sabia de onde tinha herdado. Sou apaixonada pelo som da sanfona e das cantorias com viola ou violão, tenho mania de desenhar e de caderninho de anotação. Contar histórias, escrever cartas, textos e poesias... minha dedicação.
Eu conhecia tão pouco da história de meu bisavô José, porque não pude conviver com o meu pai. No entanto, sempre me interessei pelas histórias de minha família e tenho um grande amor por todos. Guardo a sete chaves as cartas de meu pai, sua voz em uma fita antiga, escrevo-lhe poemas em noites de solidão, choro quando tio Ailton me liga e contemplo fotografias antigas como terapia pra alma. Reconheço-me em cada rosto, em cada história, procuro saber o nome, abraço com ternura meus velhos tios e primos e estes últimos, podem ter certeza, são os meus melhores amigos.
“Ah bão, né”... como dizia meu bisavô José, é com orgulho que agora conto um pouco do que aprendi sobre ele.
José Francisco Maciel nasceu em vinte e quatro de junho de mil oitocentos e noventa e três, na fazenda Barreiro Vermelho, Município de Crixás, Goiás. Filho de Ângelo Francisco Maciel e Antonina Laurência Seixas, foi batizado em Crixás por Joaquim Xavier Ferreira e sua esposa Maria do Carmo.
Quando tinha dezesseis anos sentiu-se obrigado a sair de seu lar materno a procura de conquistas e dias melhores. Instalou-se em “Goiás-Velho” onde concluiu o primeiro grau, morando e trabalhando como balconista com o senhor André Batista de Alencar. Passou por Ipameri, Morrinhos e Catalão. Exerceu a profissão de delegado de polícia de quarteirão, balconista, secretário de Engenheiro. Sempre foi querido pelos patrões, com os quais aprendeu muito.
Através do seu trabalho como auxiliar de agrimensor em Pires do Rio e Morrinhos tinha acesso a estrada de ferro. Conhecia pessoas de diversos lugares, trazendo as novidades para nossa cidade. Foi ele quem trouxe a primeira escova de dentes para a região.
José casou-se com Carolina Xavier Ferreira, que passou a se chamar Carolina Xavier Maciel. Residiam em Crixás, onde aprendeu um novo ofício, trabalhando como mestre de obras das construções da Lavra, local de extração de grande quantidade de ouro. E por aí seguiu, laborando como comerciante, sapateiro, boiadeiro e fazendeiro. Trouxe para Crixás muitas novidades para a época, diversas qualidades de frutas e flores (abacate, manga, jabuticaba...), Formou um pomar como o nome de “Quinta”. Foi também o primeiro a fazer cerca de arame farpado no município. O arame foi trazido no lombo de burros e cavalos, pois não havia estradas nem carros.
Foi uma pessoa amiga, muito divertida, gostava de contar histórias e piadas. Tocava flauta, gaita, sanfona e cantava. Gostava de ajudar o próximo. Como naquela época não havia nem médicos nem farmacêuticos, ele medicava os doentes com orientações baseadas no livro chamado: “Guia Prático da Saúde”. Como também não havia professores na região, ele fazia “Cartilha manual”, e ensinava os vizinhos a ler, escrever e contar. Acreditava no futuro, e por isso se empenhava em construí-lo, enfrentando barreiras, inclusive físicas, para contribuir da melhor forma possível. Gostava de se manter informado, principalmente sobre a política de seu país, assunto pelo qual era bastante conhecedor.
José e Carolina casaram-se em 17 de Julho de mil novecentos e dezessete, e em Junho de mil novecentos e dezoito nasceu o primogênito, de muitos filhos, Laudelino Xavier Maciel(falecido), seguido de Nair Xavier Maciel (falecida), Jocelino Xavier Maciel, Jolina Xavier Maciel, Cristiano Xavier Maciel, Leolino Xavier Maciel (falecido), Joaquim Xavier Maciel, Tomaz Xavier Maciel, Arcelino Xavier Maciel (falecido), Jovercina Xavier Maciel (falecida), Antônio Xavier Maciel, Eclair Xavier Maciel, Manuel Xavier Maciel (falecido), Maria Xavier Maciel (falecida), João Xavier Maciel (falecido) e José Maciel Filho.
Era uma família muito alegre, gostavam de festas, de dançar e tocar alguns instrumentos. Tinham em casa cavaquinho, viola, caixa, pandeiro e sanfona. Uma família frondosa que admiro e amo muito, fruto do amor e da perseverança de José Maciel e Carolina.
José Maciel veio a falecer em vinte de dezembro de 1964. Foi bom esposo, filho, pai, sogro, avô e bisavô; Bom amigo e grande conselheiro. Faleceu na Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, onde residia. Deixou muita saudade, de filhos, genros, noras, netos, bisnetos e filhos adotivos, demais parentes e amigos.
Creio que haja diversas histórias sobre a vida deste homem que fez história por sua postura inovadora e carismática. É nobre a reunião desta família para recordar e homenagear quem nos dá identidade, raiz, união através da força e do amor. Segundo depoimento do meu tio Ailton, vô José era uma pessoa muito organizada e avançada para a época. Confeccionava botinas e chinelos usados por toda a família. Além de calcados, ele fazia bolsas e cabeçadas (que seriam usadas em cavalos).
Ensinava os filhos a rezar e os reunia ao luar para contar histórias de sentido educativo. Ao contar um caso, parava por um instante, puxava o cigarro de palha para a direita e para esquerda e ao continuar dizia “Abão Né” e prosseguia.
Creio que Vó Carolina não era diferente das outras avós: esperta, brava, mas muito bondosa e carinhosa. Tenho certeza que Tio Zequita e Tio Ailton ainda se recordam, com saudade, do grande banco de Jatobá, onde brigavam pelo colo da vó, na cozinha do Sítio Santo Antônio da Boa Vista.
Vó Carolina, quando viajava, ia na frente com o seu cavalo “Sereno”, um dos cavalos em quem meu pai e meu tio, gostavam de montar. E é assim que imagino o meu bisavô e a minha bisavó: no lombo de um cavalo, ensinando os netos a cavalgarem, rumo ao mundo, em busca de conhecimento e transformação, mas também em busca do sentido da vida, da valorização da família, do amor, de Deus.
Que essa família cresça sempre unida, no amor e no respeito, mas sempre consciente das verdadeiras origens, recordando com carinho e seguindo os bons exemplos do nosso grande homem José Francisco Maciel.
Um grande abraço a todos e que, de uma forma ou de outra, possamos estar sempre juntos. Quem sabe um dia, debaixo de uma árvore, ao luar, pra contar histórias...

Alice Xavier

sábado, 23 de julho de 2011

Reencontro



Apaixonei-me por você novamente. Achei que depois de tudo seria difícil de acontecer. O amor tem dessas coisas, não é? os tais "altos e baixos". Vi meu corpo cair várias vezes no fundo do poço, arrumei força pra subir e cheguei ao topo sozinha. No meio do caminho, quantas pedras, quase me desviei ilusões afora. Mas você estava lá, me esperando, depois de atravessar também os seus caminhos tortuosos. O perdão flui sem que se peça. O amor gera sem que se cruzem os nossos corpos; somente o meu olhar no seu e o seu no meu, no movimento infinito da exatidão. Lavo o meu corpo e o seu, faço juras de amor pra vida inteira, você me tira pra dançar e nós brindamos o reencontro, a paz afinal.


Meu amor é como o sossego em noites de lua cheia, quando o azul do céu se encontra com o azul do mar, e o canto das ondas silencia a minha alma.

Alice Xavier

sábado, 16 de julho de 2011

Menino Passarinho


Quando menina, estudei dois anos em uma escola pública de Goiânia. Na escola, tinha um grupo de coral em que eu entrei logo, logo, já que era o meu sonho saber cantar. A primeira música que aprendi foi "Prelúdio pra ninar gente grande", de Luiz Vieira, que fala de um menino passarinho. Essa música marcou minha vida para sempre, talvez porque essa ideia de ser passarinho, ou de querer voar, sempre esteve presente comigo. Até hoje, sonho que estou voando, sobre o mar, sobre as árvores, longe das multidões e dos edifícios que cobrem as estrelas.
Minha prima e melhor amiga Ana adorava me ouvir cantá-la e me pedia sempre pra que eu cantasse pra ela, tocando no violão. Quando Aninha morreu, aos vinte cinco anos, lhe escrevi uma poesia, que também se chamava 'menina passarinho'. Porque eu sonhava com ela sobrevoando as nuvens, cantando a mesma canção. Nos sonhos, eu lhe oferecia rosas, e as rosas nasciam em seu jardim.
Há pouco tempo, minha amiga e professora do mestrado, também grande escritora Maria Sueli de Regino, publicou um novo livro: 'Menino Passarinho". Imaginem a minha euforia e a minha vontade de ler o seu livro. E para minha alegria, ela deu um exemplar para meu filho Luis Felipe, porque, como ele ama Mitologia Grega, iria adorar a parte em que ela conta a história do Minotauro, de Teseu e Ariadne.
Depois do Luis Felipe, tive o prazer de ler a história. E enquanto eu lia, eu, simplesmente, voava. Como se a história me levasse pra o habitat natural dos pássaros, sem prédios, nem poluição. Para a paz verdadeira, um vento calmo e tranquilo como o das manhãs. Canto de passarinho era o que eu ouvia e por mais que a triste realidade de uma criança abandonada estivesse ali, estava também a esperança, a luz que persiste na alma humana e também na coragem de quem faz educação de verdade.
Queria essa coragem e a dedicação de Mariana, ou a pureza de Curió ou ainda o amor tão verdadeiro de seu Vicente, aquela vontade imensa de viver e a certeza de que os sonhos se realizam. Que bom poder aprender com eles, voar com eles nessa aventura linda e merecedora de todos os aplausos e coro de passarinho.
Sueli, muito obrigada!
Alice Xavier

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Minha vida segundo Jim Morrison


(Gostei da brincadeira!)

Você é um homem ou mulher: L.A. Woman

Descreva-se: Wild Child

Como você se sente: Five to One

Descreva o local onde você vive atualmente: Love Street

Se você pudesse ir a qualquer lugar, onde você iria? Alabama (Song)

Sua forma de transporte preferido? The Crystal Ship

Seu melhor amigo(a): 4 Billion Souls

Você e seu melhor amigo(a) são: Riders on the Storm

Qual é o clima: Touch me

Hora do dia favorita: The end

Se sua vida fosse um programa de TV, como seria chamado: Hello, I love you

O que é vida para você: A feast of friends

Seu relacionamento: Light my fire

Seu medo: when the music's over

Qual é o melhor conselho que você tem a dar: Break on Through (to the Other Side)

Pensamento do Dia: You are Lost Little Girl

Seu lema: Love me Two Times