segunda-feira, 22 de julho de 2013

Dia do amigo


Quando a gente combinou o dia, eu nem lembrei que seria dia do amigo. Nós não lembramos. Mas a gente combinou e no dia 20 a gente estava lá. Nós e a mulherada toda. Fruto da nossa velha amizade que já dura mais de vinte anos. Foi emocionante o reencontro, as meninas que eu guardei no coração, com as cartas cheias de desenhos e sonhos e as fotos de uma adolescência tão feliz... E mesmo que eu tenha esquecido o violão, ou as canções que a gente mais gostava, não importa. Ainda estamos juntas.
Durante todos estes anos, a gente nunca se separou. Nos melhores e nos piores momentos. E não houve distância que mudasse isso. Ver você grávida é ver parir em nós todos os sonhos que sonhamos em forma de mantas e sapatinhos de tricô. Aquela vidinha que planejamos um dia, falando dos nossos amores e da vida que queríamos formar. Não que a gente quisesse só casar na vida. A gente queria muito mais. Mas era inevitável sonhar com o "Já pensou nossos filhos amigos?!". Embora eu tenha sido mãe antes e meus filhotes já estejam grandinhos, ainda assim estamos todos juntos. O Thiago se escondendo debaixo da sua cama, as coisinhas do Heitor me emocionando, as suas cartas na gaveta do Luis Felipe...
E ainda assim a distância é curta. E a gente entende que viemos de outras vidas, nós, sempre juntas. E é assim que eu quero estar, pra sempre!!!
(Ops, eu não estou na foto!! mas como poderia??? Quem faria a foto?! rsrsrs)
Alice Xavier

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Fotografia: como tudo começou!

Quando eu era criança, minha mãe adorava nos fotografar. Naquele tempo, financeiramente, era difícil revelar os filmes, mas guardamos com carinho muitos momentos mágicos do seu olhar registrados em pequenas fotos. A máquina, uma Yashica, era como um objeto proibido, era linda e como eu a desejava. Mas ela estava sempre escondida na parte mais alta do guarda roupa.

Meu tio era fotógrafo em São Paulo e eu era fascinada pelo processo de revelação. Aos treze anos, ele me presenteou com uma máquina, compacta analógica. Talvez eu nunca tenha lhe dito que este foi um dos melhores presentes que recebi na minha vida. Naquela pequena máquina, eu podia dizer ao mundo de como eu via as coisas e as pessoas... eu fazia arte e não sabia. Fotografei amigos e pessoas que eu amo até hoje. Pessoas que nunca mais eu vi e sinto saudades.

Uma vez, eu conheci uma pessoa em Salvador, mas eu sabia que nunca mais a encontraria. Fotografei-a. Era o único jeito de eu leva-la comigo, pra sempre. Mas quando eu mandei revelar o filme, as fotos estavam todas perdidas. Eu tive que me contentar com a minha própria memória e, mesmo que o tempo tenha passado e a gente tenha se esquecido, eu guardei aqueles momentos pra eternidade.

Com o passar do tempo, é claro, eu continuei a conhecer pessoas. Todas elas especiais de alguma forma. Uma por uma eu fotografei. Estão nas páginas dos meus álbuns antigos e, inevitavelmente, na memória e no coração.

Fotografar profissionalmente, sempre foi um sonho. E hoje eu o realizo, aprendendo todos os dias sobre essa nova arte, praticando com prazer a minha nova paixão. E deixo aqui registrado o quanto estou feliz por fazer o que eu amo, por fazer arte, por deixar no mundo um pouco do meu olhar.
 
Obs.: A velha Yashica hoje é minha. Presente da minha mãe.

Veja os links a seguir:

segunda-feira, 27 de maio de 2013

À você, meu amor...

 
Quando eu era adolescente, eu acreditava em almas gêmeas. Com o tempo, compreendi que não existia nada disso e que as pessoas deveriam procurar por si mesmas. Acredito sim, nas almas afins... que são todos aqueles que me rodeiam de modo especial... Encontrar você, não foi encontrar minha outra metade ou a "tampa do meu balaio", rs, mas encontrar aquele com quem eu deveria compartilhar toda a minha vida! Claro que nem todos os pensamentos podemos dividir um com outro, ou perderíamos a nossa individualidade, mas faz parte aquele gesto de ciúme que joga o outra na parede e ameaça: "Cuidado, eu tô vendo!" rs.
Todo casamento, a gente sabe, tem lá seus "altos e baixos", maiores ou menores desafios... talvez a gente tenha encontrado os maiores deles e tenha que vencer todos os dias mais um dragão. Mas foi por acreditar que poderíamos ser melhores que permanecemos juntos, que não desistimos nas horas mais difíceis, que nos entregamos com coragem e amor. Quanta gente pra julgar, pra condenar ou pra tentar desiludir nós encontramos pelo caminho... e quanta gente boa, quantos amigos fizemos nesse tempo, quanta luz também se fez presente! Por mais que doa aquilo que faz doer, por mais que a gente sinta vontade de nunca mais se ver, naqueles momentos que é melhor nem dizer... quão maior foi a saudade, o grito de alegria, o pulo nos seus braços, o beijo no meu rosto todas as manhãs quando você sai pro trabalho e eu continuo dormindo... Quão grande é seu abraço e nosso jeito de dormir segurando as mãos... e quando a gente sente vontade de virar cada um pro lado, estamos conscientes que sabemos respeitar os nossos próprios desejos de, de vez em quando, respirar sozinhos.
Ter você ao meu lado é ter certeza que eu sou inteira e que eu encontrei meu companheiro, totalmente inteiro pra mim... e que se ainda não formos completamente assim, inteiros, sabemos que estamos todos os dias em busca de sermos felizes por nós mesmos, sem jogar essa responsabilidade no ombro do outro. No entanto, é maravilhoso perceber o quanto a gente se ajuda, o quanto nós colaboramos pra que cada um seja melhor todos os dias, naquilo que sabe ou que ama fazer, nos próprios dons, nos próprios desejos, nos próprios sonhos. E é fascinante que, pensando assim, conseguimos caminhar juntos, descobrir nossos anseios em comum, criar objetivos e metas juntos, redescobrindo assim a arte do amor, do casar todos os dias, sem que nada atrapalhe a nossa certeza de que estamos com quem devemos estar, pro resto da vida!
Espero que a nossa relação continue assim... de amor, respeito, cumplicidade e lealdade... e que sejamos fortes o suficiente pra enfrentar os desafios, com os corações cheios de esperança por uma vida melhor! Que Deus nos abençoe com sabedoria pra que sejamos melhor sempre, para nós, para os nossos filhos, para o mundo!!!!
Obrigada por me fazer acreditar em mim mesma, por ser companheiro e um marido dedicado. Por ser um pai maravilhoso para os nossos meninos, por me apoiar e estar ao meu lado sempre! Amo você! Feliz aniversário! Feliz bodas de lã!!!!!
Alice Xavier

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Quando o sol bater na janela do teu quarto...



O problema, meu amor,
não sou eu,
nem somos nós

o problema é você
com você

Eu sou apenas uma ameaça
à sua tristeza
que te consola
das suas lembranças amargas
ou à solidão que te sustenta...

porque ainda gozas da pena
que sentem de ti.

Se um dia tivesses conhecido a alegria
essa que brota de dentro pra fora
tu dividirias comigo
as esperanças que trago nas mãos
a paz por qual luto diariamente
o grito do carnaval
o amor que persiste em meu coração.

Alice Xavier

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

A tal da liberdade


O Thiago doido pra encher a casa de passarinhos e eu tentando explicar que eles precisam de liberdade.
_ E nós? Não precisamos não??!
_ Sempre, Thiago... Sempre!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Sente o cheiro!

 
Quer melhor coisa na vida do que ser bem tratado??? Hoje foi assim... não é coisa de marido lindo não, nem de filho querendo ganhar alguma coisa... Hoje foi diferente: muito talento e profissionalismo! Não tenho palavras pra agradecer pelo carinho e pela qualidade daquele almoço tão gostoso, servido com tanto amor pela minha amiga nutricionista Carol Morais. São pessoas assim que deixam a vida da gente mais doce e feliz!!
 
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Poeminha pra Marcelo Jeneci


Eu ficava contando as horas
pra ver você chegar
Eu ficava tentando inventar uma música
ou tentava um desenho
que contasse um pouco do meu coração
Perdi a noção do tempo
pedindo às estrelas
um pouco de luz pra te ofertar
Mas você não veio
ficou por aí
cantando felicidades
embalando sonhos e casamentos
cada vez mais amado
Mas um dia,
dar-te-ei
o meu amor
dia a dia, lado a lado,
e tomarei café com leite
de rosas
ao seu lado
entre borboletas...
desculpe essa tempestade emocional
mas estou aqui tão longe
no meu quarto de dormir
e eu gostaria te pedir
que pense duas vezes
antes de esquecer...
porque nós somos feitos pra acabar!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Última homenagem à minha avó Raminha

 
Este texto foi minha última homenagem à minha avó querida, Raminha, que partiu no último dia 14 de setembro. Foi lido por mim, no seu velório e eu compartilho com todos, como forma de agradecimento pelas mensagens de carinho e amor; e para que todos se lembrem dela em suas orações e vibrações de paz e luz!
 
           Não é fácil dizer-te essas palavras. Não são as últimas, porque não é assim que compreendo a vida. Não são de despedida, porque sei que um dia nós estaremos juntas novamente... e não são lamentações, porque eu sei o quanto a senhora está bem neste momento, vivenciando a misericórdia divina.
           No entanto... é importante que eu diga e que deixe na memória de todos que estão presentes um pouco do meu sentimento de gratidão e alegria por ter convivido com você, pessoinha tão especial. Não convivi o quanto eu queria ou o quanto desejávamos, porque a vida tem dessas coisas... de nos levar pra caminhos distantes... Mas, o mistério da vida também tende a nos unir, seja pelo pensamento ou pelo coração, onde não há lugar para o esquecimento ou para o luto eterno.
          Como eu quis ter estado mais ao seu lado, ter cuidado mais de você, mas a gente costuma deixar que as obrigações corriqueiras ocupem o tempo da gente. O tempo de ser gente, de ser filhos e netos. Como eu quis ter acostumado mais ao seu colo e aos seus cuidados... às tuas histórias e benzições. Ter caminhado mais de mãos dadas às suas, frequentado as festas que você gostava, aprendido um pouco dos teus talentos...
          Mas nós tivemos sim os nossos momentos, as nossas conversas, nosso tempo de oração e cuidado. Só nós sabemos do amor que sentimos, do carinho que trocamos... E é por isso que eu te agradeço, por ter sido vó. Por ter cuidado com carinho desses filhos e netos tão amados e admirados por nós, por ter ensinado aos irmãos, aos primos, aos sobrinhos e aos amigos a arte da fé, da esperança, do seguir adiante quando a gente começa a tropeçar pelas pedras do caminho. Obrigada principalmente por ter me ensinado, quando na minha admiração por você, eu pude compreender o quanto é importante saber viver.
           E eu sempre quis te perguntar... !Que força era essa, vó Raminha? Que força era essa??
          Veja, vó, quanta gente, quanto amor aqui pra você. Quanta demonstração linda de amizade sincera. Não deve ser fácil se desapegar de tudo e de todos, mas o caminho te espera e um dia, com certeza, nós estaremos todos juntos novamente. Leva de nós esse amor sincero, a nossa oração e a nossa vibração de paz; a nossa gratidão pela sua amizade, pelo seu carinho, pelo seu amor. Que a gente aprenda, mais uma vez com você, a levantar a cabeça e a segurar na mão de Deus!
          Que e as lágrimas, nesse momento, sejam apenas de saudade e que, nesse momento, com força e tranquilidade, a gente possa vibrar somente paz, amor e muita luz. 
          Obrigada, muito obrigada!
 
Alice Xavier

domingo, 5 de agosto de 2012

Koyaanisqatsi

Eu poderia me perder entre as tardes e as sombras, tomando banho de verdes tons no bosque da minha alma. E por lá me isolar dos sonhos e das cores que me consolam à noite, porque o consolo do sonho nos trai constantemente... ao acordar, a realidade é diferente. Ausentam-se a paz e a graça do sonho, as cortinas brancas que se abrem para o céu e aquela pessoa tão distante, de repente tão perto...
Eu queria poder descansar... lavar o meu corpo com o sal virgem do mar e me perfumar com ervas finas do campo sem que as arrancassem da terra. Ter o sol a me secar e as sementes certas pra eu plantar em volta de mim.
Eu queria não ver ninguém, se não Deus me vigiando sentado sobre a pedra e sua luz enorme dizendo pra mim que vai ficar tudo bem. E que as vozes dos pássaros fossem feitas pra mim e cantassem as mesmas músicas que ouvi quando criança e não me lembro mais, porque a vida também trai, quando entrega o tempo pra fazer esquecer e a saudade como misericórdia.
Depois de me perder, de repente encontrar as manhãs, e junto do sol, encontrar o orvalho das plantas, e não sentir mais sede e nem fome de nada, porque no silêncio do despertar do mundo, quando as preces dos homens comungam entre si, eu estaria saciada de mim mesma.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Bouquet of clumsy words...


Depois de tantos anos, de ter perdido tanto, de ter sonhado... Depois de tanto beijo, de ter amado tanto, chorado... depois de tudo tudo tudo... ainda me pergunto, quem restou? e o que restou? Meu travesseiro já tão gasto... pesaram sobre ele meus pensamentos, minha energia carregada, minhas lágrimas... roubaram minha vontade de ser feliz, de rir mais, de amar somente. Pensei que tinha feito amigos e eles nem se lembraram de mim. Pensei que era amada e o coração daquela pessoa não batia por mim. Jurei que era uma mulher bonita, mas rasgaram a minha fotografia. Não me convidaram para aquele casamento, não me chamaram pra sair... quem restou? e o que restou? Quem são meus amigos? quem me ama daquele jeito que eu sonhei um dia? No que me tornei, enfim? Perdi os amigos, perdi os amores antigos, perdi a memória. Perdi as cartas, as fotos, as lembrançinhas... joguei tudo fora junto com os cadernos velhos da faculdade, joguei no lixo até as canções que eu fazia e até as poesias. De que serviram? Quem se lembrará daquele dia?? Ninguém se lembrará. Ninguém. Ninguém...

segunda-feira, 9 de julho de 2012






Genteeee
agora vocês também poderão ler meus textos na Revista Ella.
Espero que gostem!
Bjoooo!
www.revistaella.com.br

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Pesadelo


Queria permanecer em silêncio quando o grito no meu ouvido soa como faca cortante sobre a minha pele. Queria não saber gritar e ser passiva diante do instante de agonia que me foi conferida... por você? Ou foi pela loucura? Ou se não é loucura, o que é? Desejo? Tristeza em demasia? Queria saber não me importar com os seus sentimentos quando o que te fere faz também você querer ferir... queria saber perdoar. No entanto, eu também grito, e o sangue escorre do teu peito como tinta a cobrir meu rosto de vermelho e as lágrimas são sangue e o sangue é salgado como lágrimas... e o que me fere faz querer ferir a quem eu amo... Ou não amo? E tudo isso é loucura, desejo ou tristeza em demasia? E por que na noite está assim? Extremamente fria? Queria que você se importasse... Perdoa-me.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pessoas Especiais

    Havia dois anos que eles não se viam. Cresceram juntos naquela escola. Eram melhores amigos. Nada mais além disso. Eles andavam de mãos dadas, torciam juntos nas gincanas, se abraçavam e choravam juntos sem medo ou vergonha de se emocionarem, porque às vezes, sentiam alegria demais, outras vezes, solidão.
    Fernando mudou de escola e nunca mais viu Jojô. Ele, sempre bem arrumado e ela, desconhecia os cuidados maternos. Ele sempre mais calmo, ela mais agitada. No entanto, Jojô se fechou. Não era mais a mesma menina. Não conversava com ninguém, não fizera amigos como Fernando. Tinha engordado muito e a pele estava tomada de espinhas. 
     Um dia, Fernando apareceu no meio da minha aula, na porta da sala. Como foi bom revê-lo:
     _ Fernando, que bom que você está aqui, que saudade!!!
     _ A Jojô está aí?
     _ Sim. Mas dormiu naquela carteira. Vai lá ver se ela acorda!
     Ele foi. Deu um toque na mesa e ela fez que não gostou. Ele bateu de novo e ela reclamou sem olhar quem é que estava batendo. Devia estar sonhando um sonho bom. Ele insistiu mais uma duas vezes  e disse:
     _ Sou eu, o Fernando!!
     Ela levantou a cabeça, esfregou os olhos e não o enxergou. Pegou os óculos e quando o viu, chorou. E eu também chorei. Eles se abraçaram com tanta pureza e alegria que tive que esconder meus olhos dos outros alunos. Mas a turma aplaudia aquele gesto tão espontâneo, a saudade, enfim, assassinada:
     _ Como você está bonita! Como você cresceu! Que roupa bonita! E o seu cabelo então... que bota linda que você está usando!
     Jojô não disse nada. Pegou a mão de Nando e os dois saíram para o recreio, abraçadinhos, como nos velhos tempos.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Palavras Encantadas


Há um certo encantamento nas palavras que ouço. Não são as suas palavras, ditas a todo instante, sob os meus ouvidos. Não são as palavras do mundo que ouço. Eu falo das palavras que vêm não sei de onde, das cortinas abertas para o clarão do sol, quando de madrugada ele tende a iluminar. Elas vêm de dentro quando parece que a loucura ou a confusão dos sentidos me parecem aguçar. Vejo o que não existe, sinto cheiro de coisa que não há...
Ouço palavras como muriçocas a zumbir exacerbadas ou como os espíritos a ditar cartas dulcificadoras. Essa incoerência de manifestações cruzam o meu entendimento, e impreterivelmente, preciso de papel e lápis, ou de um computador. E as palavras, finalmente, escritas, são como alívio para minha mente, tão confusa às vezes. Essa que comunga diariamente com a minha vontade de fazer mais do que posso ou de entender a vida, mais do que ela pode ser.
Há um certo encantamento nas palavras que escrevo. Não são as minhas palavras, ditas a todo instante, sob os seus ouvidos e nem as palavras do mundo. E eu não as conheço. A elas, sou apresentada no mesmo instante em que elas nascem, em que se formam, como balão a se encher de ar ou como estrela a jorrar no céu em constelação. Misturam-se tantas vezes entre os ramos das árvores e os bicos dos pássaros, a chuva e o barulho do trovão. Deixo, no entanto, que se entreguem ao fogo dos meus desejos e, metamorfoseando-se em breves caminhos, vão rumo às mentes, que como as minhas, sentem fome de palavras.
Há um certo encantamento nas palavras. As palavras não me são. Eu é que me faço delas, vez ou outra, pra iluminar minha escuridão.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

DOMINÓ


Todos os dias, logo de manhã, jogo dominó e o jogo da memória. Não, eu ainda não envelheci e não me tornei aquela velhinha simpática que vai pro banco da praça todas as manhãs alimentar os pássaros e jogar dominó com algum companheiro. Também não sou daquelas que não tem nada pra fazer, já que não me faltam roupas pra lavar, brinquedos pra juntar e almoço pra fazer. Sem falar na minha dissertação de mestrado prestes a se terminar, entre as horas picadas que tenho durante a semana. É o meu filho Thiago que me contratou pra jogar com ele diariamente sem dias de folga, domingo ou feriado.  Também não tenho o direito de começar o jogo, embora eu possa ganhar de vez em quando. Cabe a mim embaralhar o jogo e a ele, distribuir as peças, lembrando que a figura da onça, na peça do dominó, é sempre dele. E no jogo da memória, vocês já devem imaginar de quem é a "memória de elefante", não é? (No entanto, confesso que a minha anda melhorando depois de tanto exercício.) Depois do jogo, aí sim eu posso fazer o que quiser. Quanto ele me paga? Boas gargalhadas e um dia inteiro de alegria e satisfação! Não tem como querer coisa melhor! Ainda mais porque arrumar a casa, trabalhar e escrever dissertação não são coisas assim tão agradáveis, ou são?
Alice Xavier