domingo, 13 de junho de 2010

antigo...

"Quero chorar não tenho lágrimas
que me rolem na face pra me socorrer
se eu chorasse talvez desabafasse
o que sinto no peito
e não posso dizer."

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Ruídos

O cansaço me consome como coisa velha
atirada nas latas
aos felinos

meu coração não é de aço
é puro sangue
e os vampiros vencem

rebuçado
leviano
aliciante

o sangue
o coração
a mente

deito em chão duro
meu regaço
das penas insensatas
das lutas vãs

fortaleza nata
nefasta
pra que serve?
Choro às escondidas.

Quero paz...

aquele consolo do fim do dia
que só os fracos merecem.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O que é leitura?

O que é a leitura?
Perguntaram-me tantas vezes durante a faculdade.
Respostas prontas, eu sabia,
mediante conceitos dados por inúmeros pensadores
da educação, dos homens, do mundo.
No entanto, eu não sabia o que era leitura
Nem ao menos o que era ler o mundo
Sentei-me numa pedra
Distante de casa
E enxerguei o pôr do sol.
Daquela cena, fiz um poema
Bonito, rimado
Cheio de metáforas e jogos com as palavras
Mas eu ainda não sabia o que era leitura
Li poemas de Manuel Bandeira
Adélia Prado, Fernando Pessoa
E neles fiz meus poetas favoritos
Li romances de José de Alencar
Machado de Assis, Gabriel Garcia Marquez
E tantas vezes me decepcionei
Porque não li o final que eu esperava.
E eu não sabia o que era leitura.
Li jornais, li revistas, li bula de remédio
Li placas na contramão
Li as cartas que os amigos me enviavam
E as cartas que o meu bisavô escrevia
E eu não sabia o que era leitura.
Li tanto e tantas vezes não entendi nada
Voltei e li novamente
Dispersei-me com a conversa de minhas irmãs
Tomei remédio pra me concentrar
Fechei a porta do quarto
Algumas vezes, o silêncio
Outras tantas, música pra acalentar a alma
E eu me perdia nas histórias
Pra de repente me encontrar
No país das maravilhas.
Eu chorava e ria
E o meu mundo
era somente o livro que eu lia.
Quantas vezes eu achei que minha vida
Era somente aquela história finita...
Quantas vezes eu tive a certeza
Que a minha vida dava uma história de livro...
Mas eu ainda não sabia o que era leitura
Fui lendo tudo
Tudo o que encontrava
Lia as legendas de filme
E nos filmes eu me inspirava
Corria pro papel e
escrevia alguma coisa de mim mesma.
Lendo os filmes
Eu achava que sabia o que era leitura.
E continuei lendo e escrevendo
Inventando e me encantando
No entanto... descobri ,com o passar dos anos,
Que eu ainda não sei o que é leitura.
Quem diz que aquele rapaz ali sem fazer nada
Bebendo com os amigos
Entorpecendo-se com seus vícios
Não sabe o que é leitura?
Quem diz que aquela senhora
Entretida com seus bordados não sabe o que é leitura?
Quem diz que aquele senhor
De chapéu preto
E sacola da feira na mão não sabe o que é leitura?
Quem diz que aquele pai
Que leva seus filhos pra escola
Na garupa de sua bicicleta
Não sabe o que é leitura?
Quem diz que aquele menino
Vendendo bala no trânsito
Não sabe o que é leitura?
Quem diz que aquela mãe
Que vela seus filhos à noite
Ou anda ao seu lado
Dia após dia
Pra lá e pra cá,
Não sabe o que é leitura?
E de repente...
Vejo-me lendo o mundo
Vejo-me na leitura dos homens
Que decorrem de um poema
poema de amor de encanto
caso de ternura
Ou daqueles que
cantarolam qualquer música
Ao final do dia
Pra espairecer
Respiram fundo pra não chorar
Ou pra sorrir
Ou pra dizer a palavra mais linda
Que encontrou,
ao ser amado tão belo
e tão cansado do dia da vida dos sonhos
Surpreendo-me com a leitura
Dos jovens
Que interpretam a vida
Cada um do seu jeito
Cada um com sua esperança
Leio o olhar de meu avô
E não consigo nunca escrever
a vida que ele construiu.
A história que ele deixou.
Minha avó, dormindo na cadeira,
Lê a saudade
Dos tempos em que corria pra janela
Pra ver se o homem de sua vida
Já chegava para o almoço
Ele ou ela, na capacidade de homens,
Leem o tempo, leem os sentimentos
Leem o sol, a chuva, o vento...
E cada um com sua leitura
Apresenta todos os dias
A sua própria poesia
De palavras inventadas
E musicada nos versos
Da alegria
E do desejo de ser sempre
Um bom e simples leitor.

Alice Xavier

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Caminho entre o nada e o de repente
E talvez a saudade me engasge eternamente
Saudade de tudo o que um dia eu fui
E me perdi
Vagando pelo mundo
Soltando os verbos imundos
No escuro do abismo
do peito da solidão amargurada
cantei os últimos versos
sorri o último encanto
no sonho do inimigo
lá eu estava
correndo em sua direção
para o beijo derradeiro
Luz, apareça!
E me encontrarei
Nos teus espetáculos absurdos!

Alice Xavier

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Os milagres de Chico Xavier



Quando eu era criança, tinha o sonho de conhecer Chico Xavier. Diziam, ele era iluminado. Há alguns metros de sua casa, já se podia sentir sua paz, uma emoção forte, cheiro suave de flor. Era a casa da caridade. Da doação plena. Da esperança de muitos, do consolo.
Até que um dia ele morreu. Ninguém estava pensando nele ou que aquela seria sua hora. Estávamos todos felizes, comemorando a vitória da Copa de 2002. No entanto, que despedida!!! Céu em flor! Assim como ele ensinava aos que perdiam seus entes queridos, lágrimas de esperança. Nenhuma revolta ou desespero. Era uma notícia feliz saber que Chico Xavier retornava ao seu verdadeiro mundo, para descansar seu corpo físico, mas para continuar, de certa forma, com seu trabalho de luz, no plano espirtual.
Mesmo aqueles que não acreditavam em suas palavras, puderam sentir a força das mesmas sobre cartas psicografadas de tantos filhos nas mãos de suas mães desesperadas, puderam sentir a bondade em seus olhos, a esperança nas diversas mensagens deixadas ao vento, nos livros, nas orações infinitas.
Houve aqueles que zombaram, que maltrataram, discriminaram, ofenderam... tudo em nome do mesmo Deus. Mas Chico continuava com o mesmo sorriso, o mesmo olhar humilde, a mesma disciplina, cumprindo com seu único propósito de fazer o bem, o verdadeiro bem.
Há alguns anos, li o livro "As vidas de Chico Xavier", de Marcel Souto, e fiquei maravilhada. Não conhecia nada sobre a vida de Chico Xavier e me emocionei com toda sua história. Que dom! Que sabedoria divina! E a gente que pensa que não há pessoas assim no mundo em que vivemos. Quão bom é acreditar nisso, acreditar no bem, nas possibilidades grandiosas da caridade e do amor.
Assistir ao filme "Chico Xavier" foi como realizar meu antigo sonho. Sim, eu estive perto dele e senti tudo o que eu, um dia, quis sentir. Uma paz maravilhosa (e até estranha) me envolveu. Era como se aquela sala de cinema estivesse iluminada. Tinha cheiro de flor. Os olhos de quem saíam, depois das luzes acesas, eram cobertos de lágrimas. As lágrimas da esperança. Homens e mulheres sentiram. E eu fiquei com a certeza daquela presença amável, que a vida inteira me tocou e me ensinou com palavras tão, divinamente, sábias.
Se eu sou espírita? Não, sou católica. Mas crente, e grata a Deus (pelas), nas verdadeiras presenças de luz e paz no mundo em que vivemos.
"Salve Chico!"

Alice Xavier

sexta-feira, 26 de março de 2010

Meu Brasil brasileiro

O Brasil é assim, entre marchas e alegorias,
o meu país favorito.
Não está livre das guerras,
dos casos hediondos de violência,
da justiça tão pouco feita,
 no entanto, engrandece o meu coração de filha
dessa pátria que, pelos que merecem, 
cresce no sentimento ímpar de lealdade

Importa-me a corrupção do país
dos políticos malfeitores
e dos que morrem de fome
mesmo tentando
com enxadas e mãos
a colheita necessária do pão

Importa-me seus desaparecidos
desde a guerra da ditadura
até a a maldade crua dos
que perseguem os pequeninos

Porém
engrandece-me a alma
grandes nomes da música
da arte
a literatura em versos
brasileiros
cotidianos
sobre as casinhas velhas de barro
ou a saudade
ou os amores
da simplicidade do coração.

O hino
a mão sobre o peito
retumbante
As águas deslumbrantes
a seca
o cerrado em flor
o pé do samba
da moça negra
do índio
pé de tudo que dá fruto

Brasil a tua cara
se escancara no meu sonho
passear sobre tua estrada
teus mares
teus rios
tua areia quente
nos meus pés sempre virgens
a esperar a nova aventura

tua cultura
tua história
teu povo agreste
teus contos
tuas músicas
teu folclore
a sombrinha colorida debaixo do sol
o boneco dançante
as senhoras de branco
as igrejas lavadas
o choro da fé

Ó Pátria amada
idoltrada salve salve,
quem são aqueles
que te envergonham
e não levantam sua bandeira
jogando os próprios filhos
pela janela
as próprias mães pelas mãos..

A tua orquestra
de herois
te figuram o mais belo dos belos
o Cristo Redentor
de braços abertos...

Teus risonhos lindos sonhos
são também meus
na fé de que guardas
em divina casa
o teu melhor vinho
a mesa farta
de justiça
e igualdade.

Brasil,
meu velho guerreiro
canção emocionada
da esperança,
os filhos teus não fogem à luta.
Pátria amada Brasil!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Fazendinha da vó Raminha











Cheiro de flor
é canto de bem te vi
na porteira

em dia de chuva
a gente sente
perfumar tudo

grama molhada
lama
flor machucada

barulhinho ruim
aquele
da porteira abrindo

dia de chuva
a gente sente
escuta longe

bem te vi cantando
porteira
gado no curral

olha o tempo na varanda
sente o cheiro do pito
do vô

tudo é cheiro:
o do pito dói nas narinas

água de coco
coquinho que não sei o nome
siriguela

cavalo manso
pé de goiaba
tanto o que fazer

vovó enche o saco de farinha
anda com teus passos gordos
faz biscoito até o meio dia

cheiro de queijo
de polvilho
de bolo de arroz no forno

Rita, o feijão tá queimando!
Refoga o milho
Brasil quer café!

acordo cedo
caminho na estrada
até a represa

saudade do leite tirado na hora
às cinco da manhã
ouço gritos

meninada correndo
de cocota* presa na porta
por uma linha comprida

vontade de voltar pra cidade
e assistir televisão

vontade de voltar pra fazenda
e escrever poemas
de sertão

vontade
saudade
silêncio
cheiro
fumaça
barulho
trovão
cachaça
naftalina
retrato
carta
porteira
cinzeiro
grilo
morcego
córrego
laranja
galinha
cozinhadinha
panela queimada
bica
paçoca
cural
milho verde
chuveiro gelado
banho de bacia
pedra sabão
baú
cama de meu pai...

de repente...
cheiro de flor.

Alice Xavier
______________________
*cigarra

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Depois dos 30, minha amiga...




Quer encontrar alguém
no mais alto degrau da sua vida
esquece garota
que sua idade já passou dos trinta
você já deveria saber que agora
só as famosas enxutas
é que conseguem um garotão
a procura de experiência
e, cá entre nós,
você já se molhou demais
tem rugas pra todo lado
dinheiro em nenhum bolso
histórias malucas
piadas sem graça
segue um conselho:
desliga o celular
esquece os romances
deita no chão da varanda
frio, gostoooso,
e relaxa.
Amanhã é sexta feira
bebe uma cerva gelada
e não esquenta
de madrugada você se aguenta.
sozinho é que é bom!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Para minha prima Dianny















.
Tem vida nova por aí
Um cantinho novo no meu coração vai surgir
Tem gente que amo que está esperando
fazendo a gente esperar também.
.
Com o novo... a esperança,
o recomeço,
a velha cantiga,
a inventada.
.
Luzes de madrugada
choro
choro de mãe
voz da alegria exagerada.
.
Respira esse novo ar
nova espécie de atmosfera
entrega-te ao bater do seu novo coração
sem medo
sem pensar em mais nada.
.
Deixa o acalento
o acalanto
a alma calma
ria de olhos fechados
a sensação da vida
.
porque só agora
compreenderás
o tudo
o nada
o que é a vida
e o amor, nas tuas entrelinhas..
.

Alice Xavier

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

As palavras não são indiferentes: umas fazem-nos mal, irritam-nos, criam distância; outras, pelo contrário, vêm ao nosso encontro e adoçam-nos a alma. Quem as domina e as sabe utilizar é afortunado porque adiantou muito na vida e evitará grandes desgostos. E, mais importante ainda, será semeador de paz e de alegria. (Miguel-Angel Martí García)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

"EDUCAÇÃO: Seleção feita pelo MEC indica que cursos com piores notas são os que formam professores.
Alunos com baixo desempenho viram professores.
A profissão de professor é a última opção nos vestibulares e cada vez mais atrai jovens mal qualificados e com grandes deficiências na sua formação escolar. Questionário aplicado pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano passado revela que quem pretende ser professor no Brasil tem baixa renda familiar e tirou nota 20 na prova – numa escala que varia de 0 a 100." (O Popular, reportagem de capa, 07 de fevereiro de 2010 - Goiânia-Go)
É triste constatar: Infelizmente, é essa é uma verdade no Brasil inteiro. Como professora (há mais de 10 anos) em escola pública, eu gostaria de conviver com uma outra realidade no âmbito da educação brasileira. É vergonhoso. A culpa, dizem, é dos professores.
A escola pública conta, principalmente, com alunos de baixa renda. Como se isso não bastasse, oriundos de famílias totalmente desestruturadas, economicamente, socialmente, culturalmente... Famílias desrespeitadas e excluídas pelo governo e pela sociedade, desempregadas, sem atendimento adequado na área da saúde etc. Indivíduos gerando indivíduos dentro do tráfico, da violência, em casas sem valores, sem princípios e sem religião...
Pais e mães, que por falta de tempo - ou não - abandonam seus filhos, nas mínimas coisas como pentear o cabelo, escovação dos dentes... Quando o problema não é a falta de dinheiro, trocam uma alimentação saudável por porcarias e drogas no meio da rua. Obrigam, muitas vezes, seus filhos a pedir esmola na rua, ao invés de incentivá-los a estudar, a transformar suas vidas, suas histórias.
O que são valores para estas famílias? Culpá-las? Por que? É essa a realidade delas. Não conhecem outra. Mandam seus filhos pra escola pra se verem livres deles. E quando a escola as chamam, pais e mães (ou "responsáveis") tem sempre a mesma resposta: "Eu não dou conta deste menino(a). Vocês é quem tem que dar!" Quantas vezes ouvi isso.
Já vi criança de seis anos praticar sexo dentro da escola. Já vi usarem drogas. (Não vou dizer o que vi com adolescentes.) Já vi criança machucada, espancada, humilhada. Já apanhei de aluno, já ouvi palavrões, fui violentada verbalmente com termos sexuais horríveis. Já tive aluno assassinado, preso, bandido.
Já ensinei muito, já virei psicóloga, quando não atriz, palhaça, cantora. Tentei mudar um mundo, uma realidade, em vão. Adianta? Aquela história de "fazer a minha parte" vem me frustrando. Quem sou eu num mundo como esse? Acabo sendo ameaçada de morte por querer ensinar o aluno a ler, a criticar, a ser melhor. Quem me ameaça? Não! Não é o aluno! É o próprio sistema!
Já tive coragem, já perdi as forças! Todo santo dia me ergo novamente e tento fazer minha parte. Nas escolas, os alunos passam sem saber. Entram com dificuldades cognitivas - além de outras - deficiências no histórico escolar, faltam aulas, sofrem em casa, não são acompanhados pela família, apresentam problemas de disciplina, não lêem, não estudam, passam sem saber. A culpa? É do professor. E aí? Passam de uma série pra outra sem saber. Saem da escola municipal e vão para a estadual. De repente, alguém da secretaria da educação solta (talvez sem querer, rs) - depois de tentarmos discutir a questão de "passar sem saber": "O que ele vai fazer com esse diploma na mão já não é mais problema nosso!". Seria hipocrisia dizer que senti vontade de chorar... Pra que brigar? O que adiantaria? Eu ouviria mais um milhão de argumentos ridículos, incoerências, ambiguidades e nada resolveria os problemas da educação no Brasil. Somos obrigados a nos calar. A aceitar. A tapar os olhos e esperar a "morte" chegar.
(Como se não bastasse, inventaram aquela história de "Amigo da Escola". Estão jogando a responsabilidade nas mãos da própria sociedade. De mim, querem caridade. No entanto, não sou "amiga" da escola, sou profissional da educação.)
Há aqueles que querem uma vida melhor. Há aqueles que sonham com uma faculdade, tentam o vestibular. Que curso escolher? Licenciatura, claro. É o mais fácil de passar. Aliás, quem, em são estado de consciência, hoje em dia, quer ser professor? Não há mais sonhos. Foi-se o tempo em que garotinhas brincavam de escolinha e sonhavam ser professoras. Alunos "melhores" querem mais. Procuram a profissão que lhe garantam um futuro, prosperidade, status até. Procuram uma profissão que lhe rendam um bom concurso público, com um salário invejável.
Arrependo-me, confesso, de ter sido essa a profissão que escolhi, porque foi esse o sonho que tive desde os cinco anos de idade. Podia ter sonhado melhor. Poder hoje dar uma vida melhor aos meus filhos, não ter que trabalhar tanto pra sobreviver.
Que salário ainda posso almejar? Nem o que é meu de direito - novo piso salarial do Governo Lula - meu "chefe" não paga. O que fazer? Perder noites de sono, momentos incríveis que poderia passar com meus filhos, perder as suas fases maravilhosas de vida, pra estudar muito. Não vou esperar o tempo passar e envelhecer como tantos colegas, doentes, iludidos e mais pobres ainda. Pobres de esperança. No que se tornaram? O que mudou em suas vidas desde o dia em que começaram a trabalhar? Vou estudar e tentar encontrar um caminho melhor pra minha própria vida.
Quanto aos meus alunos, aos alunos do Brasil, só me resta rezar!
Protesto em meu simples blog, pra deixar registrado, a minha indignação. A minha revolta. A minha vergonha de ter lido essa VERDADE estampada na capa de O Popular. No entanto, ainda resta-me uma pergunta: Que novos alunos se formarão com os novos professores?
Alice Xavier
Nova: Este artigo foi publicado na sessão Carta ao Leitor, Jornal O Popular, do dia 10 de fevereiro de 2010. http://www.opopular.com.br/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A gente sempre se pega escrevendo sobre o passado. Estamos apegados demais a ele. O futuro é sempre novo. Não sabemos nem se vai chegar. No entanto, estamos sempre com pressa. Com pressa de chegar logo o fim de semana, de chegar logo o dia do aniversário, festas de fim de ano... e o tempo já passa tão rápido... por que então desejá-lo? Brigar com ele?
Páro tudo. Deito na cama. Perco tempo.
Olho o Thiago dormir, boca aberta, risos entre sonhos...
Pego aquelas revistas velhas de receita, monto um caderno, escolho as preferidas (nunca testei nenhuma delas), recorto-as e colo-as, uma a uma.
Procuro aquele vídeo, daquela novela, cena de casamento. Choro de novo.
Reinvento uma manhã inteira... ouço Byork. Não encontrei aquela música que nem lembro o nome.
Na cama, volto a dormir. O Thiago acorda. Enquanto isso, o Guilherme trabalha, O Lipe estuda e a casa está vazia com nosso sono.
Levanto e vou cuidar dos afazeres domésticos. O tempo custou a passar.
De repente... mais uma tarde de trabalho.
Custo explicar o sentido da leitura, a escrever o próprio nome...
Meu nome... qual é??
O tempo me desnuda, ampara-me
O tempo me consome, consola-me
O tempo me destrói, refaz-me
O tempo me tortura, cura-me
A noite chega
Tudo é tão rápido
Olho-me no espelho e não me reconheço
O dia passou depressa. Tenho medo só de pensar...
E amanhã... como será?
Ansiedade... pra quê?
Por que querer tanto o dia de amanhã como se o hoje não tivesse valido a pena.
Mas valeu.
Valeu sentir o vento, trabalhar, rir, viver.
Valeu viajar ouvindo The Doors, sonhar com meus filhos, ensiná-los...
Valeu amar...
Não importa o dia de amanhã.
Nenhum dia como hoje.