Separando agora a propaganda do conteúdo, eu compartilho aqui um vídeo que me emocionou muito essa semana. Não só pelo Guga ser um ídolo pra mim, principalmente enquanto ser humano, mas pela similaridade de sua história com a minha. Por mais que a dor de não ter meu pai por perto, de não ter tido minha infância ao seu lado, de ter perdido a chance de pular em seus braços em cada chegada ou de lhe dar um abraço em cada partida, eu também tive "uma carrada de pais"... os pais que ganhei da vida!!!
Recordo a figura do meu avô, apontando nossos lápis com o canivete, ou ralando o queijo para o biscoito, ou enchendo as cuias com côco ralado e acúcar ou aguando as margaridas no jardim... imagens que traduzem, perfeitamente, o doce e constante gesto de paciência e dedicação aos netos/filhos. Amor inigualável... saudade!
E então... meu tio Nestor, confundindo firmeza e amor... nos olhos, no sorriso, no colo... na sempre missão de se fazer presente, com o maior talento de pai do mundo!
Depois meu Ju (Gilberto de Jesus) ... o abraço forte e a companhia que nunca faltou. Do seu jeito, diariamente, sabe ser pai e avô, com muito amor. Ele é e será minha certeza de que eu terei um pai pro resto da vida!
Como se não bastasse... os tios, os primos, os amigos... e meu padrinho Francisco Curado... que entre as estrelas e um violão, me ensinou a deitar em seu colo e a acreditar no amor paterno. Mais que isso... a crer que eu nunca estarei só! Um pai amigo e que, mesmo estando longe, consegue ouvir meu coração e dizer as palavras certas!
Dentre tantos pais, há especialmente minha avó e minha mãe, que não hesitaram em ser pais, quando nos momentos em que o amor transbordava, era a razão que precisava prevalecer, fazendo delas, a grande força e o grande exemplo de equilíbrio e coragem na minha família!
Quanto ao meu pai de verdade... Eu o AMO sempre! Quando acordo e quando deito... quando o tempo passa e eu envelheço sem as experiências de filha... quando eu sinto o ar passar por minhas narinas e quando eu sinto o coração pulsar... quando eu quero rir ou quando preciso chorar...
DESEJO infinitamente que ele esteja em luz onde estiver e que possa sentir o meu amor.
E hoje, ao meu pai e aos tantos pais que a vida me deu... está aqui o meu coração e a minha homenagem! Por mais que o segundo domingo de agosto seja pra mim tão doído como é a dor da ausência desse homem (que vou admirar e guardar pra sempre) ... eu desejo que hoje seja um dia FELIZ!
Nem o riso
nem a brincadeira
de uma criança comum...
o amargo daquela palavra
a escuridão daquele olhar
tiraram o brilho daquele menino
tão pequeno
tão pequeno
tão pequeno
e a vida nos deixou uma interrogação
fincada no peito
e agora?
e os dias que estão por vir?
e a esperança que deveríamos ter?
Estarão as noites trancadas naquela janela escura?
uma criança jamais esquece
o dissabor
da indiferença.
Nem tanto o sol
nem tanto a chuva
venha o vento majestoso anunciar o dia
cantem os pássaros na minha janela
demorem as nuvens em forma de bichos
e o silêncio dizendo "bom dia"
Eu quero a vida
com seu pulsar retumbante
e todo esse ar que impregna minha alma
de desejo
e de inspiração...
Bocejo...
abro os braços para o vigoroso tempo
que me apura
e me convoca para além de mim.
Quero tudo diferente
no entanto, eu ainda costuro, com o mesmo novelo,
a casa, o telhado, o sol lá em cima
e uma estradinha que dá para o lago azul
Não me há linha de sobra
E eu preciso estar
sob os pontos e a agulha
até não sei...
Alguns nós não se desfazem
e tão depressa a vida vai
e eu permaneço inerte
como se...
não houvesse arremate no fim
De repente o tempo se
escoa...
as fotos antigas não me olham mais.
Não me reconheço!
Como recomeçar depois de tudo?
Como desmanchar cada cruz no pano?
Às vezes eu penso
que não importa que tudo se dissolva,
o importante é costurar um novo chão
Lamento
que eu não seja tão ousada
Lamento
que eu tenha feito escolhas erradas
em cada caminho
Lamento que o destino
talvez tenha cooperado
e que o meu fado
seja mesmo esse
de me espetar a cada fincar da agulha
e sentir a dor
sugar o sangue
numa incessante procura,
sem me encontrar jamais.
Naquela cadeira a gente sentava
uma no colo da outra
a outra mais nova
e mais outra
e mais uma
só pra compor a fotografia.
Imagem que compõe
a minha memória:
cinco irmãs
e o mundo estava completo.