segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Rio Doce

By Chuvisco de Amor

É nosso meio
De viver
De crescer
De semear

Rio cheio
Rio doce
Água de beber

Água doce
Rio que corre
Para o mar
Onde estão seus peixes
A claridade
O seu pulsar

Quem foi que fez
Quem, meu Deus, desfez
A casa
as palavras no quadro negro
 a água, a água

Leva a lama
a cama
a chama
leva a esperança
e a menina que brincava no quintal

e a saudade
e as lembranças

água doce
sede amarga
sede

É nosso meio
De viver
De crescer
De semear

Água
Água
Por onde é que vai
Sua corrente transparente
E toda a sua gente
Pra onde é que vai

Alice Xavier


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O pior de mim

Por fim, não consegui...
e os anos se excedem
Eu recomeço novamente, sim
apesar do tempo que ficou para trás

Dói, infinitamente...

Está tudo escuro
e eu nem sei com quem estou falando
Está tão frio
e chega a arder aqui dentro
como se frio fosse feito de fogo
e toda chama fosse um pedaço de mim
que se esvai
no pior das minhas fraquezas.

Alice Xavier

sábado, 8 de agosto de 2015

meu pai (s)


Separando agora a propaganda do conteúdo, eu compartilho aqui um vídeo que me emocionou muito essa semana. Não só pelo Guga ser um ídolo pra mim, principalmente enquanto ser humano, mas pela similaridade de sua história com a minha. Por mais que a dor de não ter meu pai por perto, de não ter tido minha infância ao seu lado, de ter perdido a chance de pular em seus braços em cada chegada ou de lhe dar um abraço em cada partida, eu também tive "uma carrada de pais"... os pais que ganhei da vida!!!

Recordo a figura do meu avô, apontando nossos lápis com o canivete, ou ralando o queijo para o biscoito, ou enchendo as cuias com côco ralado e acúcar ou aguando as margaridas no jardim... imagens que traduzem, perfeitamente, o doce e constante gesto de paciência e dedicação aos netos/filhos. Amor inigualável... saudade!

E então... meu tio Nestor, confundindo firmeza e amor... nos olhos, no sorriso, no colo... na sempre missão de se fazer presente, com o maior talento de pai do mundo!

Depois meu Ju (Gilberto de Jesus) ... o abraço forte e a companhia que nunca faltou. Do seu jeito, diariamente, sabe ser pai e avô, com muito amor. Ele é e será minha certeza de que eu terei um pai pro resto da vida!

Como se não bastasse... os tios, os primos, os amigos... e meu padrinho Francisco Curado​... que entre as estrelas e um violão, me ensinou a deitar em seu colo e a acreditar no amor paterno. Mais que isso... a crer que eu nunca estarei só! Um pai amigo e que, mesmo estando longe, consegue ouvir meu coração e dizer as palavras certas!

Dentre tantos pais, há especialmente minha avó e minha mãe, que não hesitaram em ser pais, quando nos momentos em que o amor transbordava, era a razão que precisava prevalecer, fazendo delas, a grande força e o grande exemplo de equilíbrio e coragem na minha família!

Quanto ao meu pai de verdade... Eu o AMO sempre! Quando acordo e quando deito... quando o tempo passa e eu envelheço sem as experiências de filha... quando eu sinto o ar passar por minhas narinas e quando eu sinto o coração pulsar... quando eu quero rir ou quando preciso chorar...

DESEJO infinitamente que ele esteja em luz onde estiver e que possa sentir o meu amor.

E hoje, ao meu pai e aos tantos pais que a vida me deu... está aqui o meu coração e a minha homenagem! Por mais que o segundo domingo de agosto seja pra mim tão doído como é a dor da ausência desse homem (que vou admirar e guardar pra sempre) ... eu desejo que hoje seja um dia FELIZ!

Amo muito todos vocês! Muito obrigada! 

Alice Xavier


segunda-feira, 13 de julho de 2015

tão pequeno

https://iamachild.wordpress.com/category/millais-john-everett/





















Nem o riso
nem a brincadeira
de uma criança comum...
o amargo daquela palavra
a escuridão daquele olhar
tiraram o brilho daquele menino
tão pequeno
tão pequeno
tão pequeno
e a vida nos deixou uma interrogação
fincada no peito
e agora?
e os dias que estão por vir?
e a esperança que deveríamos ter?
Estarão as noites trancadas naquela janela escura?
uma criança jamais esquece
o dissabor
da indiferença.

Alice Xavier

domingo, 7 de junho de 2015

Bom dia

Eu mesma


Nem tanto o sol
nem tanto a chuva
venha o vento majestoso anunciar o dia
cantem os pássaros na minha janela
demorem as nuvens em forma de bichos
e o silêncio dizendo "bom dia"
Eu quero a vida
com seu pulsar retumbante
e todo esse ar que impregna minha alma
de desejo
e de inspiração...
Bocejo...
abro os braços para o vigoroso tempo
que me apura
e me convoca para além de mim.

Alice Xavier


Ilustração minha (aquarela sobre papel)


























nem sempre estou
onde estou
socorro! (me perdi)

terça-feira, 14 de abril de 2015

Renascimento














Quero tudo diferente
no entanto, eu ainda costuro, com o mesmo novelo,
a casa, o telhado, o sol lá em cima
e uma estradinha que dá para o lago azul

Não me há linha de sobra
E eu preciso estar
sob os pontos e a agulha
até não sei...

Alguns nós não se desfazem
e tão depressa a vida vai
e eu permaneço inerte
como se...
não houvesse arremate no fim

De repente o tempo se
escoa...

as fotos antigas não me olham mais.
Não me reconheço!

Como recomeçar depois de tudo?
Como desmanchar cada cruz no pano?

Às vezes eu penso
que não importa que tudo se dissolva,
o importante é costurar um novo chão

Lamento
que eu não seja tão ousada

Lamento
que eu tenha feito escolhas erradas
em cada caminho

Lamento que o destino
talvez tenha cooperado
e que o meu fado
seja mesmo esse
de me espetar a cada fincar da agulha
e sentir a dor
sugar o sangue
numa incessante procura,
sem me encontrar jamais.

Alice Xavier

domingo, 18 de janeiro de 2015

Dias de sol















cortinas amarelas:
sol e poeira
na janela




terça-feira, 9 de setembro de 2014




Pouparam-me toda a vida...
digam logo!
abram a ferida!

Fé, preciso
porque o dia passa
e eu fico




Fé, preciso
porque preciso mais
de mim

Hora de parar
pego o caminho de volta
demora


mundo


Naquela cadeira a gente sentava
uma no colo da outra
a outra mais nova
e mais outra
e mais uma
só pra compor a fotografia.
Imagem que compõe
a minha memória:
cinco irmãs
e o mundo estava completo.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Palavras (mal)ditas


Olha que vergonha,
que vergonha
o que estão dizendo?!

ninguém sabe, ninguém sabe
e ficam aí dizendo
histórias mal contadas
fofocas
mentiras
palavras inventadas

O que é que eles querem
que presente vão ganhar
qual presente, qual presente?!

Eles se incomodam
com o sorriso do casal
com o sucesso da menina
com o corpo escultural
ou não
ou não

Olha que vergonha
poderiam se dar bem
que inveja macabra é essa?!
o que é que eles tem?!

Criam coisas que não há
enchem os ouvidos de alguém
torcem pra que acredite
e façam mal pra outrem.

O que é isso, o que é isso?!
Que vergonha que vergonha
Se enganaram mais uma vez
pensam que ganharam
mas perderam,
só perderam a sensatez.

Alice Xavier.

sábado, 8 de março de 2014

Tudo é dor



Barriga n'água
dedo na brasa
o não
o adeus
o grito no ouvido

Lembrar
Perder

o sal na ferida
falar sem medida

a morte
o cansaço
o tropeço

pé virado
cabeça virada

sonhar e depois acordar
como dói...

Tudo dói e tudo é dor quando se há amor
mas o amor em si não dói
porque amar não é querer
e a dor persiste onde não se pode ter.

Alice Xavier